Buraco das Araras: uma caminhada entre o Cerrado e o voo das araras-vermelhas

Vista panorâmica do Buraco das Araras em Jardim, Mato Grosso do Sul.

No município de Jardim, a aproximadamente 30 quilômetros da cidade e cerca de 65 quilômetros de Bonito, existe uma das formações geológicas mais impressionantes de Mato Grosso do Sul: o Buraco das Araras.

O atrativo é uma grande dolina formada em arenito, com aproximadamente 100 metros de profundidade e 500 metros de circunferência. Ao redor dessa abertura monumental, uma área preservada de Cerrado tornou-se abrigo para araras-vermelhas, araras-canindé e dezenas de outras espécies de aves.

A experiência não envolve entrar no interior da formação. O visitante percorre uma trilha leve pela reserva e observa a dolina a partir de plataformas posicionadas em diferentes pontos de sua borda.

Mais do que chegar diante de um grande buraco, o passeio propõe algo diferente: caminhar em silêncio, observar a paisagem e esperar que a natureza se revele em seu próprio ritmo.

A chegada ao Buraco das Araras

A experiência começa no receptivo do atrativo, onde o visitante apresenta sua reserva e recebe as primeiras orientações.

A estrutura conta com banheiros, loja, área para café, redário e acesso à internet. O passeio é acompanhado por monitores locais ou guias especializados, com possibilidade de atendimento bilíngue.

Antes da saída, a equipe explica como será o percurso, orienta sobre a observação das aves e reforça os cuidados necessários durante a caminhada.

Como o passeio acontece em ambiente aberto, é recomendável usar roupas leves, calçado fechado, chapéu ou boné, protetor solar e repelente. Água, binóculos e câmera fotográfica também ajudam a aproveitar melhor a experiência.

Esse primeiro momento prepara o visitante para uma atividade que depende menos de movimento e mais de atenção.

No Buraco das Araras, não existe uma sequência rígida de grandes acontecimentos. Existe uma paisagem viva, que muda conforme a luz, o clima, o horário e o comportamento dos animais.

Uma caminhada suave pelo Cerrado

O passeio principal percorre uma trilha de aproximadamente 970 metros, com duas plataformas destinadas à observação da dolina. O trajeto é descrito pelo atrativo como uma caminhada suave e acessível a diferentes públicos.

O caminho atravessa uma área de Cerrado onde a vegetação, o solo avermelhado e o som das aves ajudam a construir a experiência antes mesmo de o visitante avistar a formação principal.

Durante a caminhada, o monitor pode apresentar características do ambiente, apontar espécies de plantas e chamar atenção para movimentos na mata.

Em alguns momentos, as aves são percebidas primeiro pelo som.

O chamado forte das araras-vermelhas atravessa a vegetação e anuncia sua presença antes que elas apareçam entre as árvores ou cruzem o céu.

Essa expectativa faz parte do passeio.

O primeiro encontro com a dolina

Ao chegar à primeira plataforma, o visitante finalmente compreende a dimensão do Buraco das Araras.

A formação se abre diante da trilha como um grande anfiteatro natural. As paredes avermelhadas descem em direção ao fundo, enquanto a vegetação ocupa as bordas, as encostas e parte do interior.

Com aproximadamente 100 metros de profundidade, a dolina cria uma paisagem que não pode ser entendida de um único ponto de vista.

É preciso observar devagar.

As paredes revelam diferentes tonalidades. Árvores crescem em pontos aparentemente improváveis. A luz transforma o relevo ao longo do dia. E, acima de tudo, as araras utilizam aquele espaço como área de abrigo, descanso e reprodução.

Quando uma ave cruza a dolina, sua escala muda.

Vista contra o paredão, a arara parece pequena por alguns segundos. Ao passar mais próxima da plataforma, suas cores, seu tamanho e a força de seu voo se tornam evidentes.

O voo das araras-vermelhas

As araras-vermelhas são as grandes protagonistas do passeio.

Seu vermelho intenso se destaca contra o verde da vegetação, o tom terroso das paredes e o azul do céu. Dependendo do momento, elas podem aparecer sozinhas, em pares ou em grupos.

O atrativo descreve essa composição como um encontro entre vermelho, verde e branco: o vermelho das aves e do solo, o verde da vegetação e o branco presente na face das araras e em elementos da paisagem durante a estação seca.

Ver as araras no Buraco das Araras é diferente de observá-las pousadas em ambiente urbano ou em árvores isoladas.

Aqui, o voo está integrado à formação geológica.

As aves atravessam a dolina, pousam nas árvores, desaparecem atrás das paredes e retornam minutos depois. Cada aparição muda a relação do visitante com o lugar.

É importante compreender, no entanto, que se trata de vida livre.

Não existe garantia de que todas as aves aparecerão próximas, nem de que o voo acontecerá exatamente no momento esperado. O passeio não controla a natureza; cria as condições para observá-la com respeito.

A segunda plataforma e uma nova perspectiva

Depois da primeira parada, o grupo continua pela trilha até a segunda plataforma.

A mudança de posição revela outro ângulo da dolina.

Partes que estavam escondidas passam a aparecer, a incidência de luz muda e o visitante consegue observar novas áreas utilizadas pelas aves.

Essa segunda perspectiva é importante porque mostra que o Buraco das Araras não é apenas uma abertura circular vista de frente. É um ambiente complexo, com vegetação, paredes, áreas sombreadas e diferentes níveis de profundidade.

Enquanto o grupo permanece na plataforma, o monitor orienta a observação e ajuda a identificar espécies.

Além das araras-vermelhas, a reserva registra araras-canindé, tucanuçus, curicacas, udus, gaviões, falcões, corujas e outras aves do Cerrado. Fontes oficiais indicam mais de 160 espécies catalogadas no atrativo, enquanto o portal de observação de aves do Visit MS registra 169 espécies.

Muito além das araras

O nome do atrativo naturalmente direciona a atenção para as araras, mas a experiência é mais ampla.

Ao longo da trilha, o visitante pode perceber diferentes sons, cores e movimentos entre as árvores. Algumas espécies permanecem próximas ao solo; outras aparecem apenas no alto da vegetação.

Entre as aves registradas estão:

  • arara-vermelha;
  • arara-canindé;
  • rapazinho-do-chaco;
  • arapaçu-do-campo;
  • gavião-pato;
  • falcão-relógio;
  • acauã;
  • surucuá-de-barriga-vermelha;
  • tucanuçu;
  • caburé;
  • murucututu;
  • gralha-do-pantanal;
  • curicaca;
  • periquito-rico.

Essa diversidade torna o Buraco das Araras especialmente relevante para observadores de aves, fotógrafos de natureza e visitantes que desejam conhecer melhor a fauna de Mato Grosso do Sul.

Para quem possui binóculos, a experiência ganha novas camadas. Pequenos detalhes de plumagem, comportamento e interação entre as aves tornam-se mais visíveis.

As cores do Buraco das Araras ao longo do ano

A paisagem muda conforme as estações.

Entre novembro e março, durante o período mais chuvoso, a vegetação costuma apresentar tons mais intensos de verde, criando forte contraste com o solo e as paredes avermelhadas.

Entre abril e outubro, a estação mais seca modifica a aparência da reserva. A vegetação pode assumir tons mais claros, folhas caem e novas áreas da dolina tornam-se mais visíveis.

Nenhuma estação oferece exatamente a mesma experiência.

No período verde, a paisagem ganha densidade e cor. Na seca, a estrutura geológica pode se tornar mais evidente e a menor quantidade de folhas pode facilitar a observação de algumas aves.

A escolha da época depende do tipo de paisagem que o visitante deseja encontrar, mas o comportamento dos animais continua sujeito às condições naturais de cada dia.

Uma área dedicada à conservação

O passeio acontece em uma área de aproximadamente 100 hectares de Cerrado, dos quais 29 hectares são destinados a uma unidade de conservação federal.

A proteção do território é fundamental para a permanência das aves.

As araras dependem de árvores, alimento, áreas seguras e espaços adequados para pouso e reprodução. Preservar apenas a dolina não seria suficiente. É necessário conservar também o entorno que sustenta a vida naquele ambiente.

O Buraco das Araras mostra, na prática, como turismo e conservação podem caminhar juntos.

A visitação organizada cria valor para a natureza preservada, gera conhecimento e aproxima o público de espécies que precisam de ambientes protegidos para continuar existindo.

A atividade possui certificação ligada ao sistema de gestão da segurança em turismo de aventura, conforme a norma ISO NBR 21101 da Associação Brasileira de Normas Técnicas.

Observação de aves e fotografia especializada

Além do passeio regular, o Buraco das Araras também recebe experiências voltadas especificamente à observação e à fotografia de aves.

Essas atividades podem ocupar meio período ou um dia inteiro e são acompanhadas por profissionais especializados, permitindo mais tempo para identificar espécies, observar comportamentos e encontrar melhores condições de luz.

Para fotógrafos, permanecer mais tempo no local aumenta as possibilidades de registrar:

  • araras em voo;
  • casais pousados;
  • aves cruzando a dolina;
  • encontros entre diferentes espécies;
  • detalhes da vegetação;
  • mudanças de luz sobre as paredes;
  • comportamentos que não aparecem em uma visita mais curta.

Essa modalidade precisa ser planejada com antecedência, especialmente quando houver interesse em contratar um guia especializado em birdwatching.

Um passeio de contemplação, não de interação

Diferentemente dos Safáris Aquáticos, cachoeiras e atividades de aventura da região, o Buraco das Araras é um passeio essencialmente contemplativo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *