TERERÉ: O RITUAL QUE DEFINE O RITMO DO MATO GROSSO DO SUL

Roda de tereré entre amigos em Mato Grosso do Sul, representando a tradição e a cultura sul-mato-grossense.

O Som da Pausa na Calçada

Imagine a cena: o sol da tarde começa a baixar, mas o calor ainda é presente. Na calçada de uma casa simples ou na varanda de uma fazenda, um grupo de amigos está sentado em cadeiras de fio. No centro, uma garrafa térmica com muita água gelada. Alguém segura uma cuia feita de chifre de boi, serve a água sobre a erva-mate e o barulho característico da bomba sugando o líquido anuncia que o ciclo começou. A cuia passa de mão em mão, sem pressa, acompanhada por uma conversa que flui no ritmo do interior.

Esse é o cotidiano de Mato Grosso do Sul. O tereré é muito mais do que uma bebida para refrescar; é um ritual, uma pausa necessária e um jeito de viver que define a identidade de todo um estado. Convidamos você a entender o que está por trás dessa tradição que, para nós, é o verdadeiro relógio que marca o tempo por aqui.

O Que é, Afinal, o Tereré?

Para quem vem de fora, a explicação é simples, mas o sabor é surpreendente. O tereré é uma bebida preparada com erva-mate (moída de forma mais grossa que a do sul do país) e água bem gelada. Diferente do chimarrão, que é o companheiro inseparável dos gaúchos e exige água quente, o tereré é o rei do clima tropical. É a bebida do descanso e do encontro.

Os equipamentos são parte da mística: a cuia, que tradicionalmente é feita de chifre de boi (chamada de guampa) ou de porongo, e a bomba, um canudo de metal com um filtro na ponta para que você beba apenas o líquido. Embora a origem do tereré esteja ligada aos nossos vizinhos paraguaios, a cultura sul-mato-grossense incorporou essa prática de forma tão profunda que hoje é impossível separar a imagem do estado de uma roda de mate gelado.

Um Patrimônio de Todos Nós

O valor do tereré é tão grande que ele deixou de ser apenas um hábito doméstico para se tornar um reconhecimento oficial. Em 2020, a UNESCO declarou o tereré como Patrimônio Imaterial da Humanidade, reconhecendo sua importância para a cultura global. No nível regional, em 2023, a Assembleia Legislativa de MS também declarou o tereré como Patrimônio Imaterial e Cultural do estado.

Esses títulos confirmam o que a gente já sente na pele: o tereré une gerações. Você verá desde o peão de estância até o empresário na cidade, do jovem estudante ao avô que conta histórias de antigamente, todos compartilhando a mesma erva. É uma tradição que ignora classes sociais e une comunidades em torno de um gesto simples de hospitalidade.

A Roda de Tereré: Onde o Tempo é Outro

Se você quer conhecer a alma de Mato Grosso do Sul, precisa participar de uma roda de tereré. É nela que a mágica acontece. A cuia circula de mão em mão, seguindo uma ordem. Existe uma etiqueta silenciosa que todo mundo respeita: você não mexe na bomba, não agradece antes de decidir que não quer mais beber (o “obrigado” sinaliza que você está saindo da roda) e, acima de tudo, você espera a sua vez.

Na roda, não existe a pressa do mundo digital. É o momento onde se resolvem problemas, se planejam viagens, se contam causos e se fortalecem amizades. O tereré ensina que o tempo da conversa é sagrado. É um exercício de paciência e de escuta, algo que se tornou raro hoje em dia, mas que por aqui continua sendo a base das nossas relações.



O Tereré em Bonito e a Sua Experiência

Ao chegar para fazer turismo em Bonito, você vai notar que o tereré está em todo lugar. Ele está na mão do guia que te leva para a flutuação, está na praça central no fim do dia e está nas varandas das fazendas onde os passeios acontecem. Provar o tereré é, talvez, a forma mais rápida de entrar em contato com a alma do lugar.

O mais bonito dessa experiência é que o tereré não é uma “atração turística” montada para fotos; é a vida real acontecendo diante dos seus olhos. O viajante que aceita uma cuia e se permite sentar por dez minutos para “tomar um mate” passa a entender o ritmo de Bonito. Você percebe que a natureza exuberante que veio visitar combina perfeitamente com esse estilo de vida mais calmo e presente.

A NEx e a Conexão com a Nossa Essência

Na NEx, a gente acredita que conhecer um destino de verdade significa mergulhar na sua cultura local. Nossos roteiros de turismo de experiência não são feitos apenas de trilhas e cachoeiras; eles incluem o tempo do tereré. Valorizamos a pausa, o descanso e o encontro genuíno entre o viajante e o território.

Não queremos apenas que você veja as paisagens; queremos que você viva o Mato Grosso do Sul como ele é. Entendemos que a verdadeira riqueza de uma viagem está em entender por que as pessoas aqui vivem desse jeito. Ao conectar você com as nossas tradições, transformamos um simples passeio em uma memória que você vai carregar para sempre no coração.

O Gosto de Viver Devagar

O tereré nos ensina três lições valiosas: a importância de desacelerar, o prazer de compartilhar e o valor de estar presente no agora. Ele é o convite perfeito para você deixar o relógio de lado e se permitir sentir o ritmo da nossa terra.

Quando você provar o tereré de Mato Grosso do Sul, não estará apenas bebendo uma infusão de erva-mate. Estará experimentando o gosto de um povo que sabe que as melhores coisas da vida acontecem quando a gente para um pouco para olhar ao redor e conversar. Leve esse ritmo com você. Afinal, a vida, assim como uma boa roda de tereré, fica muito melhor quando é compartilhada sem pressa.

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