ALÉM DO PANTANAL: UMA VIAGEM PELA ALMA E PELA CULTURA DE MATO GROSSO DO SUL

O Pantanal Abre a Porta, Mas o Estado Segue Mais Fundo

Quando alguém fala em Mato Grosso do Sul, é natural que a primeira imagem que venha à cabeça seja a imensidão do Pantanal. E com razão. A maior planície alagável do planeta é um espetáculo que emociona qualquer viajante, com sua vida animal vibrante, seus céus gigantes e seus entardeceres que parecem pintados. O Pantanal é, sem dúvida, o portal de entrada para conhecer o nosso estado. Mas aqui vai um segredo de quem vive e respira essa terra: ficar apenas no Pantanal é como ler apenas a primeira página de um livro fascinante.

O Mato Grosso do Sul é muito mais do que paisagens de tirar o fôlego. É um estado construído por encontros, por povos que cruzaram fronteiras e por tradições que se misturaram ao longo das gerações. Indígenas, paraguaios, japoneses, sírio-libaneses e italianos deixaram aqui suas marcas, criando uma identidade cultural única, que se prova em cada prato, se ouve em cada viola e se sente em cada roda de conversa. Conhecer o MS de verdade é mergulhar nessa cultura viva, e é sobre isso que queremos te convidar a refletir.

A Cultura do Sabor: Uma Culinária que Conta Histórias

Se existe um jeito delicioso de entender a nossa cultura, ele passa pela mesa. A culinária sul-mato-grossense é um mapa vivo das influências que formaram o estado. Da fronteira com o Paraguai vieram a chipa, aquele lanche quentinho de polvilho que acompanha o café da manhã e o fim de tarde, e a sopa paraguaia, um bolo salgado de milho e queijo que não tem nada a ver com sopa, mas tem tudo a ver com a nossa história.

Nos rios e balneários, o protagonismo é do pacu na brasa, o peixe mais famoso da região, servido geralmente com arroz carreteiro e pirão, em almoços que se esticam pela tarde sem pressa nenhuma. E tem um capítulo que surpreende até brasileiros de outros estados: o sobá. Trouxeram-no os imigrantes japoneses que chegaram ao interior do MS há mais de um século, e a massa virou patrimônio cultural e paixão local, especialmente em Campo Grande. Poucos lugares no Brasil têm uma herança como essa.

E não dá para falar de sabor sem falar do tereré. Mais do que uma bebida gelada de erva-mate, ele é um ritual de convivência. A cuia e a guampa circulam de mão em mão, e cada gole é um convite para conversar. Nas praças, nas varandas e nas estradas, o tereré é o símbolo máximo do jeito sul-mato-grossense de estar junto. Tanto que ele foi reconhecido como patrimônio cultural do estado, herança guarani que atravessou gerações e fronteiras.

Chamamé, Catira e a Alma da Fronteira

A música é outro capítulo essencial dessa história. Morando ao lado do Paraguai, o Mato Grosso do Sul absorveu do vizinho ritmos e instrumentos que ganharam vida própria em solo brasileiro. O chamamé, com suas guitarras e acordeões, ecoa pelas festas e bailes do interior, carregando a melancolia bonita e a alegria dançante típicas da região de fronteira. Nas cidades que fazem divisa com o país vizinho, como Ponta Porã e Bela Vista, é comum encontrar festivais que reúnem músicos do Brasil, do Paraguai e da Argentina, celebrando uma cultura que não reconhece cercas.

Junto com o chamamé vem a dança. O catira, também conhecido como cururu, mistura viola, palmas e sapateado em apresentações que emocionam pela energia e pela devoção. São manifestações que nasceram nas fazendas e nos sitiórios e que, até hoje, mantêm viva a memória dos antigos. Assistir a uma roda de catira é ver a história sendo passada adiante, sem pressa e sem frescura.

 

Festa Tradicional é Identidade em Movimento

Ao longo do ano, o calendário sul-mato-grossense é pontuado por festas que traduzem essa mistura de povos. Existe a Festa de São João com suas quadrilhas e fogueiras, as festas de padroeiros que reunem comunidades inteiras, e os festivais de chamamé que movimentam as cidades da fronteira. Em cada uma delas, o viajante não é espectador: é convidado. A hospitalidade daqui é legendaria, e quem chega logo é recebido com um tereré na mão e uma pergunta sincera: “e aí, já almoçou?”.

Essa é a grande diferença de viver a cultura de um lugar em vez de apenas visitá-lo. As festas tradicionais do MS não são atrações montadas para turista. São a vida real acontecendo, e quem se aproxima com respeito e curiosidade sai delas transformado.

Um Estado que Se Revela em Camadas

Bonito e o Pantanal são vitrines mundialmente famosas, e merecem cada elogio que recebem. Mas o viajante que se permite olhar ao redor descobre um estado de surpresas: as serras da Bodoquena, os campos de Nioaque, as cidades históricas da rota da erva-mate, a capital que abriga uma das maiores colônias japonesas do interior do Brasil e tantas outras faces que fogem do óbvio. O turismo de experiência é justamente isso: ir além do cartão-postal e se permitir conhecer o lugar pela cozinha, pela música, pelas pessoas e pelas conversas.

 

A NEx Como Ponte Entre Você e a Essência do MS

Na NEx, acreditamos que uma viagem completa une natureza e cultura na mesma medida. Por isso, além de desenhar jornadas sob medida pelos rios e trilhas, cuidamos para que você conheça o Mato Grosso do Sul que a gente ama: o sabor do pacu na brasa depois de um dia de flutuação, a chipa quentinha no caminho de volta, o tereré compartilhado no fim da tarde e, se der sorte, um chamamé tocando ao longe.

Queremos que você vá embora com mais do que fotos dos cenários. Queremos que leve a essência de um estado que se construiu de encontros, que recebe de coração aberto e que guarda, em cada tradição, um convite para voltar. Porque conhecer o MS é, no fim das contas, se deixar transformar por ele.

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